RECIFEST: Festival de Cinema da Diversidade Sexual

Eis que temos esse ano a segunda edição do RECIFEST. Esse evento, totalmente gratuito e bastante conscientizador, é um festival de cinema da diversidade sexual. Mais do que isso. O festival é pioneiro ao se dedicar à temática LGBTTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) em Pernambuco. O segundo ano do festival conta com mais notoriedade, trazendo uma programação de 39 filmes de dez países. Serão dos dias 11 a 15 de novembro no Cinema São Luiz, aqui em Recife. Vamos? <3

Tudo começará com o concerto da Orquestra de Sinos – Grupo Txaimus, do Departamento de Música da UFPE, organizada por Flávio Medeiros. Depois, haverá a exibição do longa “São Paulo em Hi Fi” (Brasil, 2013), de Lufe Steffen, documentário histórico que resgata a era de ouro da noite gay paulistana, fazendo uma viagem pelas décadas de 1960, 70 e 80 – a bordo das lembranças de testemunhas do período, trazendo à tona as casas noturnas que marcaram época, as estrelas, as transformistas, os heróis, e até os vilões: a ditadura militar e a explosão da aids.

Além do concerto, haverá curtas estrangeiros, animação, filmes, e também oficinas, como Drag Queen Curso, ministrada pelo ator Zé Carlos Gomes no delicioso Café Castro Alves (as vagas já estão esgotadas, era free) e oficina de Figurino com Beto Normal. A programação também contempla competição de curtas, homenagens e debates, como o movimento Mães Pela Igualdade, que será homenageado, e ainda terá uma exposição de fotos no mezanino do Cinema São Luiz.

Sobre os especiais: dando continuidade à parceria iniciada em 2013, o Festival Diversidade em Animação – DIV.A traz um programa especial de nove curtas em diversas técnicas, stop-motion ao 3D, de seis países. O festival acontece há seis anos no Rio de Janeiro. No mesmo dia será exibida uma mostra de quatro curtas estrangeiros, em parceria com o Rio Gay Festival. A seleção é do curador dos festivais, Alexander Mello.

Encerrando o festival, será exibido o longa documentário “Famílias por igual” (Argentina, 2013), com a presença dos diretores, Rodolfo Moro e Marcos Duszczak. Nele, famílias compostas por dois homens ou duas mulheres, além de jornalistas, psiquiatras e advogados, são entrevistados sobre os direitos das famílias homoparentais.

Copiei a programação para a gente marcar na agendinha. Olha só:

Programação

Terça-feira (11)

19h30 – Apresentação do Grupo Txaimus

Filme de abertura: São Paulo em Hi-Fi (Brasil, 2013, 100 min), de Lufe Steffen

Quarta-feira (12)

19h30 – Performance de Isabelle Gusmão

Curtas estrangeiros

En Homo I Marrakech (Noruega e Marrocos, 2014, Documentário, 14’), de Bård Føsker

Housebroken (EUA, 2013, Ficção, 14’45’’), de Wade Gasque

Miniaturas (Espanha, 2014, Ficção, 17’), de Vicente Bonet

Alaska is a Drag (EUA, 2013, Ficção, 3’42’’), de Shaz Bennett

Mostra DIV.A – Diversidade em Animação

Benjamin’s Flowers (Suécia, 2013, Animação, 12’), de Malin Erixon

Change Over Time (EUA, 2013, Animação, 7min 14’), de Ewan Duarte

Lay Bare (Reino Unido, 2012, Animação, 6’), de Paul Bush

SHIFT (EUA, 2012, Animação, 5’), de Juan Carlos Zaldivar

When Boy Meets Boy (EUA, 2013, Animação, 3’48’’), de Joe Phillips

Ink Deep (Canadá, 2012, Animação, 2’20’’), de Constance Levesque

Sounds Look Feel (Canadá, 2013, Animação, 1’47’), de MELD

The Egg (Austrália, 2013, Animação, 10’), de Tonnette Stanford

A Chave do Armário de Ethan (Brasil, 2013, Animação, 3’), de Alan Nóbrega

Quinta-feira (13)

19h30 – Performance de Henrique Celibi

Mostra competitiva de curtas pernambucanos

A ÚLTIMA FRUTA (PE, 15’), de Ariana Pacheco

ALL YOU NEED IS SEX (PE, 1’), de Luiz Melo

AMOR OBJETO (PE, 1’), de Rayana França

AMOR SUSTENTÁVEL (PE, 6’), de Patrícia França

CANTOS DE OUTONO (PE, 13’), de André Barbosa

CASA FORTE (PE, 11’), de Rodrigo Almeida

INSTINTO (PE, 1’20’’), de Ingrid Soares

MANDALA NUM COMPASSO DIFERENTE (PE, 8’), de Iane Mendes

POWER CHARQUES (PE, 1’), de Rafaela Cavalcanti / Fernanda Xavier / Sara Régia

RECIFE XXI (PE, 10’), de Sócrates Alexandre (Sosha)

(TRANS)PARÊNCIA (PE, 16’), de Igor Travassos

TU (PE, 12’), de Thiago Mercês

VALLERIA BRASIL (PE, 13’), de Almir Guilhermino

Sexta-feira (14)

19h30 – Performance de Henrique Celibi

Mostra competitiva de curtas nacionais

ANTES DE PALAVRAS (SP, 13’), de Diego Carvalho

CANCHA – ANTIGAMENTE ERA MAIS MODERNO (PB, 18’), de Luciano Mariz

DELIRIUM (SP, 16’), de Victor Reis

DENTRO (SP, 15’), de Bruno Autran

MERINTHO (GO, 7’), de Cristiano Sousa

O CLUBE (RJ, 17’), de Allan Ribeiro

O CORAÇAO DO PRÍNCIPE (SP, 14’), de Caio Ryuichi Yossimi

OVO DE COLOMBO (RS, 15’), de Guilherme Mendonça e Marcos Haas

SAILOR (RN, 13’27’’), de Victor Ciriaco

SEM TÍTULOS (BA, 3’), de Leticia Ribeiro e Ronne Portela

SOBRE A PELE E A PAREDE (RS, 11’), de Laura Kleinpaul e Henrique Larré

TODAS AS COISAS QUE EU NÃO TE DISSE (PB, 16’), de Carolline Taveira

Sábado (15)

19h30 – Cerimônia de premiação

Filme de encerramento: Famílias por igual (Argentina, 2013), de Rodolfo Moro e Marcos Duszczak.

Um resuminho pra ninguém se perder!

O que fazer essa semana: Correr para o 2º Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual  

Quando: de 11 a 15 de novembro de 2014  

Onde: Cinema São Luiz (Rua da Aurora 175 – Boa Vista)  

Informações: http://www.recifest.com.br

Entrada: F R A N C A <3

E você, vai perder?

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Rodopios e tapas na cara

Certa vez estava em uma festa, e revi uma amiga. Fazia tempo que não nos falávamos e, apesar de na verdade só mantermos um coleguismo encantador, foi uma alegria sincera encontrá-la ali, no meio da pista de dança. Ela me abraçou tão forte e com tanto ímpeto ébrio que fomos rodopiando para a margem do salão. Foi quando minha outra amiga, a que estava me acompanhando na festa, saiu de dentro da multidão dançante e me puxou grotescamente. Fiquei aturdida, sem compreender por alguns segundos o motivo daquela estupidez desnecessária. Mas depois percebi que pela primeira vez eu iria levar uns tapas de uma garota. Minha conhecida estava de romancinho e a companheira, descontrolada e altamente ciumenta, queria me agredir por causa de um a b r a ç o e s t i l o p e ã o. Todas passam bem.

Valeu por me salvar, B.

Ciúme, é você?

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Universo Paralello e Terra em Transe, por Terê

Eu amo divulgar o trabalho de gente talentosa da minha cidade, como já falei aqui nos delírios surrealistas de Ana Lu. Dá aquela alegria de ver alguém fazendo o que ama e desempenhando muitíssimo bem esse papel. Acredito bastante no reconhecimento e é isso que busco levar às pessoas que têm o que mostrar. Espero que vocês também compartilhem comigo mais gente maravilhosa de outros cantos do Brasil.

Conheci a Terê numa festa linda e saudosa há alguns anos. Não sabia que a menina de apelido doce e olhos marcados pelo delineador de gatinho era uma fotógrafa exemplar. Lembro que no dia do evento ela levou um filtro que deixava a foto bem interessante, já que tinha o efeito de prisma. Depois, adicionando a Terê nas redes sociais, pude vislumbrar o trabalho dessa petrolinense talentosa.

O trabalho fotográfico de Ana Teresa Quesado é plural, mas em cada foto ela já consegue enraizar o seu estilo Terê of life de ver o mundo.

Selecionei as fotos do Flickr dela, por causa da resolução, mas o instagram é repleto de maravilhas também. Indico demais ficar sempre atualizada com esse feed amor.

A princípio, pensei em fazer só uma postagem da Terê, mas vi que era melhor criar pelo menos duas, já que ela tem muitas fotos de um festival que promete ser incrível: O Festival Universo Paralello. Alguém aí já foi? Depois de ver as fotos e da minha chefe ter participado, deu aquela vontade extra de juntar uma graninha. Quem sabe um dia! Logo abaixo, também selecionei as fotos do Festival Terra em Transe, também eternizado por Terê.

Terê conseguiu capturar um número imenso de cores e formas do festival, sem contar nas expressões dançantes e felizes das pessoas que fizeram parte disso. As edições são a melhor parte de tudo: duas, quatro, oito imagens replicadas em uma mesma foto e uma sensação meio louca. Essa psicodelia inteligente está também em outras fotos da Terê.

Acredito que o ponto principal das fotos da Terê envolvem o olhar peculiar de uma menina de pouco menos de vinte anos, com as manipulações de imagens que dão um significado bem maior ao universo paralelo que se instaura depois dos cliques. É incrível, olhem só:

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Olha a Terê aqui: Fanpage | Instagram | Flickr <3

Vocês também gostaram?

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Não seria eu

Se não fossem as várias ideias que nem sempre vem à tona, como a criação de apps de carona ou de fiscalização da prefeitura, não seria eu. Se não fossem os gritinhos ao volante, nas topadas do dedo mindinho ou do quadril ou nos jogos eletrizantes de video game, não seria eu. Se não fossem as crises existenciais ou as dúvidas dificílimas de solucionar, também não seria eu. Se não fosse a fome de ter tudo e a frustração de não conseguir abraçar o mundo, não seria eu. Se não fossem as danças ébrias e as desengonçadas, não seria eu.

Se não fossem os altos níveis de sensibilidade para as coisas erradas e frieza para as certas, não seria eu. Se não fossem os ideais feministas, nunquinha seria eu. Se não fossem os cuidados com meus irmãos e a vontade de orgulhar cada um deles, não seria eu. Se não fossem as brigas com meus pais e o amor incondicional, não tinha como ser eu. Se não fossem as poucas fotos de comida no Instagram e as várias dentro do meu estômago, não seria eu. Se não fossem os planejamentos de intercâmbio, as inúmeras possibilidades e a autossabotagem, não seria eu. Se não fossem as habilidades que o carrinho me deu, como paciência e ousadia, não seria eu.

Se não fossem os pedidos de carona, só pra evitar andar de ônibus, não seria eu. Se não fosse o quartinho arrumado e o guarda-roupa infernal, não seria eu. Se não fosse a fama na empresa e o apelido de ser alienígena, não seria eu. Se não fosse bancar a psicóloga com alguns amigos e ter a curiosidade (e necessidade?) de ir a um profissinal desses, não seria eu. Se não fosse o Recife Antigo, as bikes, as olhadelas e as crianças sendo observadas com tanto carinho por mim, não seria eu.

Se não fossem os medos, nem a mania de ser Jude que carrega o mundo nas costas, não seria eu. Se não fossem as exigências e a vontade de ser rica, não seria eu. Se não fossem as dezenas de livros comprados e não lidos na estante, não seria eu. Se não fossem as noites regadas a cervejas, música e diversão, não seria eu. Se não fossem as fotografias, não existiria eu. E o maravilhoso cinema? Sem chance de ser seu. Se não fossem os sonhos de viver em um mundo melhor, e lutar por isso quase todo dia, não seria eu. Se não fossem a fadiga e o cansaço de viver nesse mesmo mundo que quero mudar, não seria eu.

Esse foi um meme inspirado pela Thay, do Dreams, a qual, por sua vez, se baseou em Analu, que teve um insight na música Capitão Gancho, da Clarice Falcão. Ufa, hahaha. O resultado de todas as criações é tão incrível de ler que dá aquela vontade de tentar também. Tá bom, faz anos-luz que as meninas fizeram, mas quis escrever agora e acredito que o meme seja atemporal. Se quiser tentar, fica à vontade!

E se fosse você?

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Um MIMO para você

Fiquei de compartilhar uma alegria musical das últimas semanas com vocês! Fui ao MIMO, um festival lindo daqui das redondezas do meu Estado, e senti uma vibração maravilhosa das pessoas e dos músicos.

O MIMO começou como Mostra Internacional de Música em Olinda, aqui em Pernambuco, há mais de 10 anos. É um momento de trazer obras musicais de qualidade do contexto contemporâneo, isso tudo de graça. Também são veiculados filmes ao ar livre, com direito a curtas, médias e longas-metragens. Pra vocês terem idea, ano passado tive o prazer de me deliciar com Nouvelle Vague, popzinho do grupo francês mais amor dos últimos tempos. Esse ano, minha experiência sonora ficou com Winston McAnuff & Fixi. Lá estava eu no meio de gente jovem e mais velha, todos dançantes, todos envolvidos por aquela voz envolvente do jamaicano McAnuff. Os quadris dos presentes requebravam ao som do acordeon carinhoso de Fixi. Tive que fechar os olhos algumas vezes pra agradecer estar ali, em contato com uma junção musical tão rica e distinta daqueles dois músicos. A igreja do Carmo estava iluminada por luzes roxas, e tinham silhuetas embalando com passinhos pra cá e pra lá o restante do pessoal na frente do palco. Algumas vezes achei que estava em outro lugar, como se aquela música tivesse me transportado pra longe dali (não é papo de substâncias ilícitas, viu?). Deve ter sido o acordeon.

Preferi a banda ao vivo, mas essa música aqui pode ilustrar o que estou dizendo:

Como eu adoro fotografia, mas estava sem equipamento no dia, acabei trazendo as belíssimas capturas que achei no site do MIMO. Aliás, alguém sabe o nome de quem fotografou o festival? A pessoa é uma artista, olhem só:

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E aí, gostou? Tá rolando mais festival por aí?

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Feliz vida, Mallu Magalhães!

Gente, vou confessar. Quando a Mallu começou a carreira, apesar de gostar das músicas daquela criança talentosa, eu achava tudo muito esquisito nas entrevistas, pra não dizer jegue. Ela era tão peixinho fora d’água que eu tinha agonia da postura dela, das falas emboladas e das roupas largadas. Com o tempo, fiz uma auto-crítica e acabei mudando drasticamente de opinião. A Mallu mais velha e mais madura também ajudou nessa mudança de percepção, claro. No fim, minha compreensão tardia mostrou que eu não estava preparada para ver alguém verdadeiramente autêntico na televisão. Com o costume de ver crianças que mais parecem pequenos adultos ou até robôs, a figura daquela menina cheia de maluquice (ou malluzice) era muito distinta do que eu esperava. Acabei entendendo o quanto estamos presos em estereotipos do que devemos ser e do que esperam que sejamos.

Com essa evolução na minha perspectiva diante da imagem e do trabalho musical da Mallu, hoje posso dizer que sou uma admiradora das suas composições e cantorias. E morro de amores pela imagem dela também. O último álbum Pitanga foi um sucesso e eu já sei decoradinho. Agora, o novo projeto é a Banda do Mar: parceria com Marcelo Camelo e Fred Ferreira, com direito a acordes de rockizinho e letras carinhosas. Por enquanto é só amor. Olha só que delícia essa música:

Então hoje gostaria de fazer essa singela homenagem e parabenizar uma menina tão talentosa que me fez crescer como pessoa e me embala nas suas doces canções. Feliz vida, Mallu! <3 hihi

Aaah, separei algumas das fotografias da Mallu que mais amo, todas em preto e branco. Algumas foram capturadas pelo Marcelo Camelo, e por isso trazem uma sensação tão gostosa de naturalidade e alegria. Lembro que busquei as fotos no Flickr dele e as demais foram todas da fanpage da cantora.

Espero que vocês também se encantem.

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Vocês conheciam a Banda do Mar? Gostaram?

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Garanhuns: cidade do amor, música e drinks

Acabei não contando como foi a viagem que no post anterior falei com tanta ansiedade. Eis um pouco da percepção maravilhosa que tive sobre esse final de semana inesquecível!

Fui com mais quatro amigos, todos animados pra chegar à cidade fria dentro do Nordeste. Na estrada, já conheci alguns artistas que nunca tinha ouvido falar, e fiquei me encantando com a paisagem diferente que estou acostumada a ver na cidade: longos pastos e muito verde. O céu apresentava uma nuvem espessa que ameaçava chover de instante em instante. Em outras épocas, eu diria que era mau tempo. Mas hoje comecei a mudar um pouco a perspectiva, e com isso pude ver a beleza das gotinhas que começaram a cair em alguma cidade entre Recife e Garanhuns.

Não paramos pra fazer xixi (e isso resultou num corre-corre enorme quando chegamos à casa alugada), mas fizemos um stop para dividir a gasolina e depois comprar uns morangos e tangerinas no caminho. Quando finalmente chegamos, demos pelo menos umas três voltas pra achar o lugar certo. Nossa informação estava desencontrada: o GPS nos dizia um lugar e as instruções da dona da casa falavam em outro. Depois me muito encher a bexiga, achamos a bendita casa, simples e misteriosa. Abrimos com um clique e logo em seguida vimos uma escada que nos levava diretamente para o 1º andar. A primeira coisa foi procurar quartos e banheiros. Jogamos nossas malinhas e fizemos cara feia pra o grupo da semana passada, que deixou uma cozinha nojenta e molhada. Forçamos-nos a fazer uma mini faxina, com vassourinha pra jogar fora o pó e sacolas para embalar papéis nada higiênicos. Não dá pra esperar gentileza sempre. Ou, em outras palavras: nem todo mundo pensa no uso que outros farão de determinado lugar. É por isso que continuo tendo vontades assassinas quando estou no ônibus e vislumbro um saco de salgadinho voando para o asfalto, ou papéis de chiclete nos assentos. Mas enfim, isso daria uma postagem inteira e eu quero falar de coisa boa.

Pensamos em organizar tudo e previmos que chegaríamos a fim de apenas dormir. Começamos a dispor nossas bolsas em lugares estratégicos e usamos a força pra encher nossos colchões de ar. Aí começou o imprevisto: no meu colchão, faltava uma válvula primordial. Resultado: eram sete horas da noite e o chão frio já estava me aguardando. Saímos loucos atrás de lojas, e depois de usar o GPS e fazer perguntas aos transeuntes, chegamos a três lojas diferentes. As duas primeiras nos assustaram dizendo que não vendiam o objeto, ou já tinha acabado o estoque. Um dos vendedores ainda falou: acabamos de vender o último. Comecei a me culpar por não ter conferido o colchão antes de chegar à cidade… Os cidadãos tinham avisado que tudo fechava às 18 ou 19h, aí o pânico começou a ficar maior. Até que encontramos uma Americanas, que fechava às 20h, e que vendia o bendito do colchão! Desembolsados R$50 que não estavam necessariamente no orçamento, voltamos pra casa felizes da vida. Ah, quando voltamos nos deparamos com dois rapazes que iriam dividir a casa, eles decidiram ficar no 2º andar e a gente no primeiro.

Aí sim pudemos iniciar os trabalhos. Nessa noite, fomos para duas atrações: Palco Pop e Palco Mestre Dominguinhos. No primeiro, vi ao vivo uma banda que conhecia umas duas músicas pelo Youtube, graças a um amigo que chamo de enciclopédia musical. A banda se chama O Terno. Os caras fazem rock’n roll, são de São Paulo e eu os considero muito criativos. Vou deixar uma música e clipe que eu acho bem divertidos pra vocês conhecerem:

https://www.youtube.com/watch?v=YF261dUvya0

Tava fazendo bastante frio e adorei vestir o casaquinho de couro. Sofri por não ter alguma botinha, ia ter ficado mais legal e melhoraria nos pontos em que tinha barro e poças de água. Ah sim, choveu um pouquinho. Depois partimos para a Praça Guadalajara, onde tinha o Palco Dominguinhos, mas não me lembro de termos curtido nenhum show. Nesse dia rolou de forma inédita vinho, mas meu fígado não achou uma boa ideia. Não tenho costume de tomar e em pouco tempo já estava sendo um Alien duplicado. Decidi deixar o outro dia pra as brejas mesmo. Como não tinha nada legal na praça, pensamos em ir a uma festa que sempre acontece em Recife e Olinda. Mais uma vez pouca gente conseguia informar as coisas e a gente ficou tentando usar a internet pra achar o evento. Quando enfim achamos a Loloteria, vimos que era gratuita! UHUL

A festa tinha uma vibe mais intimista, alternativa e com músicas bem diferentes do festival. Tinha um DJ famoso que eu não faço ideia de quem seja. Também não conhecia quase nenhuma música que tocou… Serviu pra a gente dançar um pouco e conversar. O local era interessante, pois as paredes eram bastante riscadas e as luzes agitadas causavam dificuldade na leitura dinâmica das frases. Fiquei um bom tempo lendo a casa. Quando a gente cansou da festa estranha com gente esquisita, pensamos em descansar e pegamos um táxi que deu bem baratinho.

E aí chegou o sábado. Sério, eu não preciso dormir de edredom, já que não tenho ar-condicionado e meu quarto é um forninho. Acordar quentinha embaixo das cobertas é bom demais… A viagem em si já foi fantástica apenas pela anormalidade de temperatura que eu estava sendo exposta. No sábado passamos o dia numa preguiça incrível e dormir foi um dos pontos turísticos da cidade, hahaha. À noite, com mais ânimo, nos arrumamos de novo e fomos andando para as praças pra conhecer mais gente da música.

No Palco Pop, teve Ylana Queiroga e Maria Alcina, ambas divas que tive o privilégio de conhecer. Ylana é pernambucana e tem uma voz excelente e muita presença de palco. Saí apaixonada e já escutei o álbum inteiro umas duas vezes. Sinto uma alegria sem precedentes ao escutar um vozeirão cantando com meu sotaque, minhas gírias, meu jeito de falar. O Nordeste tem bastante artista talentoso, porém o grande foco continua sendo a produção de outras regiões do país. Então quando me sinto próxima aos artistas daqui, há mais identificação, e um orgulhinho se agita no peito. Isso sempre ocorre com produções cinematográficas recifenses. Qualquer dia falo pra vocês sobre O Som ao Redor ou Tatuagem. Ah, sobre Maria Alcina (a cantora é super famosa há bastante tempo e eu não conhecia), já gostei da voz imponente e do vestuário: ela chegou com um troço de penas super chamativo na cabeça e um vestido longo. Super exótica, haha. Bom, é melhor apresentar um pouco das duas em forma de músicas. Escolhi as que mais gostei e espero que vocês curtam também:

Duas de Ylaninha porque sim:

http://www.youtube.com/watch?v=s91UMtroxQU

http://www.youtube.com/watch?v=PMhS6AdtAtM

E Maria Alcina, uma figura:

http://www.youtube.com/watch?v=pndWv2yweuU

Esse já era o último dia de Festival de Inverno de Garanhuns, e os artistas da Praça Guadalajara que assisti ao show foram Siba, um monstro cantor, compositor e músico pernambucano, e depois Del Rey e Titãs. Com algum atraso nos brinquedinhos da praça, em especial a pistola na qual milagrosamente e talvez com alguma lembrança de CS na adolescência, acertei todos os alvos, a gente viu alguma parte do show de Siba e Azougue Vapor: bem lindo, bem cheio de sotaque, cheio de sorriso, cheio de malemolência. Depois Del Rey veio para dançar. Aquele China é um sedutor. Requebrou-se até dizer basta, jogou os cabelos pra todos os lados do palco e agitou demais a galera. Nunca tinha assistido a um show dos caras e realmente me surpreendi positivamente, já que tinha um abusinho do cantor. Pra finalizar, teve Titãs. Já não sei quantos shows já assisti, mas é sempre bem divertido. As músicas célebres embalaram meu coração e algumas vezes me transportei para algumas lembranças antigas. As músicas mais agitadas me obrigaram a entrar em rodinhas punk. Saí ilesa!

 Pra ilustrar um pouquinho, eis algumas das fotos publicáveis desse final de semana gostoso:

UM

TRÊS

CINCO

Processed with VSCOcam

QUATRO

SEIS

Processed with VSCOcam with b1 preset

NOVE

DEEEZ

Alguém aí viajou? Tá planejando? Me conta!

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