O dia do Curinga

No primeiro dia do ano de 2015, terminei o melhor livro que li nos últimos tempos. Tudo culpa de um rapaz extraordinário que conheci ano passado. Seria um Curinga? O livro preferido dele também ganhou essa posição comigo, e se é algo bom, tenho o dever de compartilhar com o mundo (ou com as poucas pessoas que passam por aqui). A história começa com um garoto chamado Hans-Thomas, narrador de grande parte da leitura. O menino e seu pai viajam da Noruega até a
Grécia para encontrar a mulher que os deixou há mais de oito anos. A viagem é feita em um Fiat vermelho, e depois de um velho posto de gasolina, com direito a uma lupa de presente, Hans-Thomas tem acesso a um livro misterioso que começa uma história paralela, com uma ilha que cresce, oráculos, maldições de família, náufragos, mitos gregos e cartas de baralho que ganham vida! O acompanh amento dessa narrativa estimula a criança a ir atrás do conhecimento, ou à filosofia, busca que seu pai já fazia nos momentos de pausas para um cigarrinho e bebedeiras.

O livro encanta em todos os cinco enormes capítulos guiados pelos quatro naipes das cartas e o Curinga: Espadas, Paus, Curinga, Ouros e Copas. Dentro deles, os textos são seguidos pelos treze números das cartas: de ás até o rei. E em cada começo, há um trecho do livro (fiquei ansiosa por alguns). Alguns estão aqui:

“…sempre acreditou ver coisas estranhas, que os olhos dos outros não viam…”

“…uma loteria gigante, da qual só se veem os ganhadores…”

“…se o mundo é um número de mágica, então deve existir um mágico…”

“…um milagre tão fantástico que, diante dele, a gente não sabe se ri ou se chora…”

Enquanto escrevo esse texto, chove aqui fora. Estou na rede, na varanda, e pode ser a milésima vez que vejo essa cena, mas depois de ler o livro, nada é mais como antes. Estamos tão profundamente imersos em nossa rotina e afazeres que não paramos para pensar sobre como é maravilhoso vislumbrar o mundo à nossa volta. Como quando éramos crianças, lembra? Tudo parecia muito mais incrível. E essa é a proposta do livro. Com duas histórias envolventes, uma delas fantástica demais para nossas cabeças, sentimos a necessidade de filosofar mais um tanto sobre a sorte que temos dessa existência, além da incessante procura pelo conhecimento.

“Acho que o universo é fruto de uma vontade. Um dia você verá que por detrás de todas essas miríades de estrelas e galáxias oculta-se uma intenção.”

Espero que leiam e não se acomodem nesse mundo.

Desejo um ano de Curinga pra você. Feliz 2015!

Qual livro preferido de vocês?

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What If

Um amontoado de diálogos com sagacidade, fofura e bobagens também. E vidas cheias de oportunidades e dúvidas quanto ao futuro. What If ganha vida com Zoe Kazan, a menina dos olhos azuis enormes e carinha oval, que sempre me encanta com seus personagens apaixonantes e quase irreais, tipo a Ruby Sparks. Na trama ela é Chantry, menina tímida que tem um namorado há mais de cinco anos e faz um trabalho talentoso como animadora. Daniel Radcliffe surge como Wallace, garoto romântico traído pela ex-namorada. Também atende pelo perfil de “não sei o que quero fazer da vida” (oi!), depois de largar a faculdade de medicina, principalmente por causa da ex, também aluna do curso. A amizade de Wallace e Chantry gera conversas maravilhosas, daquelas que você tem com poucas pessoas na vida. Pessoas especiais, sabe? Para deixar o ambiente menos polido e gentil, tem o casal inesperado feito por Adam Driver, que faz o Allan e também o namorado da Hannah em Girls, e seu par Mackenzie Davis, atriz lindíssima que faz a Nicole.

Não importa o desfecho do filme… Acredito que a ideia mais bonita que passa é resumida no seguinte trechinho:

Quando você percebe o quão rápido tudo pode desmoronar, você não desiste de algo bom.

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Fotos tiradas do IMDB.

O que vocês acharam do filme?

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Interestelar

Vocês já viram Interestelar? Bom, eu já adicionei aos meus favoritos do filmow, pois fiquei apaixonadíssima e quero ver de novo, de preferência em uma sala com mais potência!

É um filme que mostra o comportamento humano diante do caos. Os personagens são bem trabalhados e a personalidade de cada um interfere diretamente nos resultados da viagem. É emocionante, silencioso e incrível. As filmagens também foram cuidadosamente pensadas para você ficar submerso naquele cenário. Todas as cenas no espaço me deixaram apreensiva e deslumbrada. Esse é mais um filme de Christopher Nolan para bagunçar sua cabeça. Falo isso por causa de, por exemplo, a história de “A Origem”.

O problema central, que motiva toda a viagem ao espaço, são as pragas que estão destruindo a produção de alimento. É um paradoxo: tanta tecnologia, tanto conhecimento e nada que seja o suficiente para o mundo não acabar. Eis um dos temas centrais que deixa todo mundo agoniado: apocalipse. São tempestades de areia agoniantes e a cada ano mais algum alimento é erradicado pela praga.

Entre os personagens principais, temos Matthew McConaughey, que faz Coop, o agricultor resmungão. Ele na verdade é um astronauta não atuante que passa todo o conhecimento que tem para a filha mais nova, Murph, interpretada por Mackenzie Fox na infância e por Ellen Burstyn quando adulta. Minha irmã disse que a atriz pequena é a filha de Bella da trilogia Crepúsculo. O amor da minha vida, Anne Hathaway, também vem com seus cabelos curtos e sorriso rasgante para dar vida à cientista Amelia Brand. Bem no início vemos Coop chegar à Nasa e por isso fazem o convite para uma expedição que pode salvar a humanidade. Coisa simples, corriqueira. Corta o coração assistir ao abandono dos filhos para um “bem maior”. O objetivo da Nasa é encontrar novos planetas que possam acolher a população mundial. Mas sabemos que no Sistema Solar já está comprovado cientificamente que não tem planeta viável, não é? Então Cristopher Nolan começa a nos enlouquecer com alguns tópicos da astrofísica.

Um dos temas citados é o buraco de minhoca. Entenda: no Sistema Solar, não tem planeta que podemos, além da Terra, habitar. Você faz o quê? Vai para outra galáxia, claro. O wormhole é uma espécie de portal que permite que duas regiões distantes espacialmente se tornem mais próximas. Tem uma cena que tenta explicar esse conceito, que ainda não é cientificamente comprovado: dobre uma folha de papel ao meio e passe uma caneta através dela. A folha é o espaço. Um ponto de um dos lados dela é a Terra; um ponto do outro lado é uma galáxia distante. O furo que você fez com a caneta é o buraco de minhoca. Veja como ele diminuiu a distância entre os dois locais. E é isso que os tripulantes pensam para tentar desempenhar o plano deles.

Outro conceito explorado no filme que a gente estudou no ensino médio é sobre a dilatação gravitacional do tempo. Ele está ligado à relatividade do tempo. O funcionamento desse conceito comprovado nos diz que “em regiões de forte influência da gravidade, o tempo passa de maneira mais lenta em comparação com regiões de menor atração gravitacional, como é o caso da Terra.”. Ainda existem outros conceitos no filme que eu não entendo bulhufas, mas dá pra acompanhar a narrativa até o fim, considerando realidades de cinco dimensões e buracos negros.

A ficção sempre está ligada à realidade, mesmo as mais fantasiosas. Ainda não tem praga pra nos castigar, então fazemos o contrário: eis que vivemos em um mundo que produz comida para 12 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), quando no planeta habitam sete bilhões. Conclusão simples? Tem comida. Então, por que uma em cada sete pessoas no mundo passa fome?

Pra corroborar com esses dados, uma situação curiosa aconteceu no final do filme. Quem já foi comigo ao cinema já sabe: fico até o final dos créditos. Adoro escutar toda a trilha sonora, gosto de ler quem participou da produção, gosto de ser a última a sair. Coisa minha.

Bem no finalzinho, quando as luzes ainda estavam apagadas, duas crianças entraram. Sorrateiras. Não dei tanta atenção, pois ainda estava focada na tela. Depois percebi que os meninos estavam rindo baixinho enquanto procuravam no lixo alguma comida. Tentavam achar copos de refrigerante e restos de fast-food. Tinham roupas surradas e cabelos desgrenhados. Em menos de um minuto, o segurança entrou e surpreendeu os garotos, que saíram correndo escutando os berros do funcionário. Não conseguiram levar nada. E eu fiquei lá, estatelada, sozinha, tentando tirar os nós que Nolan tinha colocado com a astrofísica e comparando com a cena triste e real que assisti.

Fotos tiradas do IMDB.

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RECIFEST: Festival de Cinema da Diversidade Sexual

Eis que temos esse ano a segunda edição do RECIFEST. Esse evento, totalmente gratuito e bastante conscientizador, é um festival de cinema da diversidade sexual. Mais do que isso. O festival é pioneiro ao se dedicar à temática LGBTTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) em Pernambuco. O segundo ano do festival conta com mais notoriedade, trazendo uma programação de 39 filmes de dez países. Serão dos dias 11 a 15 de novembro no Cinema São Luiz, aqui em Recife. Vamos? <3

Tudo começará com o concerto da Orquestra de Sinos – Grupo Txaimus, do Departamento de Música da UFPE, organizada por Flávio Medeiros. Depois, haverá a exibição do longa “São Paulo em Hi Fi” (Brasil, 2013), de Lufe Steffen, documentário histórico que resgata a era de ouro da noite gay paulistana, fazendo uma viagem pelas décadas de 1960, 70 e 80 – a bordo das lembranças de testemunhas do período, trazendo à tona as casas noturnas que marcaram época, as estrelas, as transformistas, os heróis, e até os vilões: a ditadura militar e a explosão da aids.

Além do concerto, haverá curtas estrangeiros, animação, filmes, e também oficinas, como Drag Queen Curso, ministrada pelo ator Zé Carlos Gomes no delicioso Café Castro Alves (as vagas já estão esgotadas, era free) e oficina de Figurino com Beto Normal. A programação também contempla competição de curtas, homenagens e debates, como o movimento Mães Pela Igualdade, que será homenageado, e ainda terá uma exposição de fotos no mezanino do Cinema São Luiz.

Sobre os especiais: dando continuidade à parceria iniciada em 2013, o Festival Diversidade em Animação – DIV.A traz um programa especial de nove curtas em diversas técnicas, stop-motion ao 3D, de seis países. O festival acontece há seis anos no Rio de Janeiro. No mesmo dia será exibida uma mostra de quatro curtas estrangeiros, em parceria com o Rio Gay Festival. A seleção é do curador dos festivais, Alexander Mello.

Encerrando o festival, será exibido o longa documentário “Famílias por igual” (Argentina, 2013), com a presença dos diretores, Rodolfo Moro e Marcos Duszczak. Nele, famílias compostas por dois homens ou duas mulheres, além de jornalistas, psiquiatras e advogados, são entrevistados sobre os direitos das famílias homoparentais.

Copiei a programação para a gente marcar na agendinha. Olha só:

Programação

Terça-feira (11)

19h30 – Apresentação do Grupo Txaimus

Filme de abertura: São Paulo em Hi-Fi (Brasil, 2013, 100 min), de Lufe Steffen

Quarta-feira (12)

19h30 – Performance de Isabelle Gusmão

Curtas estrangeiros

En Homo I Marrakech (Noruega e Marrocos, 2014, Documentário, 14’), de Bård Føsker

Housebroken (EUA, 2013, Ficção, 14’45’’), de Wade Gasque

Miniaturas (Espanha, 2014, Ficção, 17’), de Vicente Bonet

Alaska is a Drag (EUA, 2013, Ficção, 3’42’’), de Shaz Bennett

Mostra DIV.A – Diversidade em Animação

Benjamin’s Flowers (Suécia, 2013, Animação, 12’), de Malin Erixon

Change Over Time (EUA, 2013, Animação, 7min 14’), de Ewan Duarte

Lay Bare (Reino Unido, 2012, Animação, 6’), de Paul Bush

SHIFT (EUA, 2012, Animação, 5’), de Juan Carlos Zaldivar

When Boy Meets Boy (EUA, 2013, Animação, 3’48’’), de Joe Phillips

Ink Deep (Canadá, 2012, Animação, 2’20’’), de Constance Levesque

Sounds Look Feel (Canadá, 2013, Animação, 1’47’), de MELD

The Egg (Austrália, 2013, Animação, 10’), de Tonnette Stanford

A Chave do Armário de Ethan (Brasil, 2013, Animação, 3’), de Alan Nóbrega

Quinta-feira (13)

19h30 – Performance de Henrique Celibi

Mostra competitiva de curtas pernambucanos

A ÚLTIMA FRUTA (PE, 15’), de Ariana Pacheco

ALL YOU NEED IS SEX (PE, 1’), de Luiz Melo

AMOR OBJETO (PE, 1’), de Rayana França

AMOR SUSTENTÁVEL (PE, 6’), de Patrícia França

CANTOS DE OUTONO (PE, 13’), de André Barbosa

CASA FORTE (PE, 11’), de Rodrigo Almeida

INSTINTO (PE, 1’20’’), de Ingrid Soares

MANDALA NUM COMPASSO DIFERENTE (PE, 8’), de Iane Mendes

POWER CHARQUES (PE, 1’), de Rafaela Cavalcanti / Fernanda Xavier / Sara Régia

RECIFE XXI (PE, 10’), de Sócrates Alexandre (Sosha)

(TRANS)PARÊNCIA (PE, 16’), de Igor Travassos

TU (PE, 12’), de Thiago Mercês

VALLERIA BRASIL (PE, 13’), de Almir Guilhermino

Sexta-feira (14)

19h30 – Performance de Henrique Celibi

Mostra competitiva de curtas nacionais

ANTES DE PALAVRAS (SP, 13’), de Diego Carvalho

CANCHA – ANTIGAMENTE ERA MAIS MODERNO (PB, 18’), de Luciano Mariz

DELIRIUM (SP, 16’), de Victor Reis

DENTRO (SP, 15’), de Bruno Autran

MERINTHO (GO, 7’), de Cristiano Sousa

O CLUBE (RJ, 17’), de Allan Ribeiro

O CORAÇAO DO PRÍNCIPE (SP, 14’), de Caio Ryuichi Yossimi

OVO DE COLOMBO (RS, 15’), de Guilherme Mendonça e Marcos Haas

SAILOR (RN, 13’27’’), de Victor Ciriaco

SEM TÍTULOS (BA, 3’), de Leticia Ribeiro e Ronne Portela

SOBRE A PELE E A PAREDE (RS, 11’), de Laura Kleinpaul e Henrique Larré

TODAS AS COISAS QUE EU NÃO TE DISSE (PB, 16’), de Carolline Taveira

Sábado (15)

19h30 – Cerimônia de premiação

Filme de encerramento: Famílias por igual (Argentina, 2013), de Rodolfo Moro e Marcos Duszczak.

Um resuminho pra ninguém se perder!

O que fazer essa semana: Correr para o 2º Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual  

Quando: de 11 a 15 de novembro de 2014  

Onde: Cinema São Luiz (Rua da Aurora 175 – Boa Vista)  

Informações: http://www.recifest.com.br

Entrada: F R A N C A <3

E você, vai perder?

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Rodopios e tapas na cara

Certa vez estava em uma festa, e revi uma amiga. Fazia tempo que não nos falávamos e, apesar de na verdade só mantermos um coleguismo encantador, foi uma alegria sincera encontrá-la ali, no meio da pista de dança. Ela me abraçou tão forte e com tanto ímpeto ébrio que fomos rodopiando para a margem do salão. Foi quando minha outra amiga, a que estava me acompanhando na festa, saiu de dentro da multidão dançante e me puxou grotescamente. Fiquei aturdida, sem compreender por alguns segundos o motivo daquela estupidez desnecessária. Mas depois percebi que pela primeira vez eu iria levar uns tapas de uma garota. Minha conhecida estava de romancinho e a companheira, descontrolada e altamente ciumenta, queria me agredir por causa de um a b r a ç o e s t i l o p e ã o. Todas passam bem.

Valeu por me salvar, B.

Ciúme, é você?

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Universo Paralello e Terra em Transe, por Terê

Eu amo divulgar o trabalho de gente talentosa da minha cidade, como já falei aqui nos delírios surrealistas de Ana Lu. Dá aquela alegria de ver alguém fazendo o que ama e desempenhando muitíssimo bem esse papel. Acredito bastante no reconhecimento e é isso que busco levar às pessoas que têm o que mostrar. Espero que vocês também compartilhem comigo mais gente maravilhosa de outros cantos do Brasil.

Conheci a Terê numa festa linda e saudosa há alguns anos. Não sabia que a menina de apelido doce e olhos marcados pelo delineador de gatinho era uma fotógrafa exemplar. Lembro que no dia do evento ela levou um filtro que deixava a foto bem interessante, já que tinha o efeito de prisma. Depois, adicionando a Terê nas redes sociais, pude vislumbrar o trabalho dessa petrolinense talentosa.

O trabalho fotográfico de Ana Teresa Quesado é plural, mas em cada foto ela já consegue enraizar o seu estilo Terê of life de ver o mundo.

Selecionei as fotos do Flickr dela, por causa da resolução, mas o instagram é repleto de maravilhas também. Indico demais ficar sempre atualizada com esse feed amor.

A princípio, pensei em fazer só uma postagem da Terê, mas vi que era melhor criar pelo menos duas, já que ela tem muitas fotos de um festival que promete ser incrível: O Festival Universo Paralello. Alguém aí já foi? Depois de ver as fotos e da minha chefe ter participado, deu aquela vontade extra de juntar uma graninha. Quem sabe um dia! Logo abaixo, também selecionei as fotos do Festival Terra em Transe, também eternizado por Terê.

Terê conseguiu capturar um número imenso de cores e formas do festival, sem contar nas expressões dançantes e felizes das pessoas que fizeram parte disso. As edições são a melhor parte de tudo: duas, quatro, oito imagens replicadas em uma mesma foto e uma sensação meio louca. Essa psicodelia inteligente está também em outras fotos da Terê.

Acredito que o ponto principal das fotos da Terê envolvem o olhar peculiar de uma menina de pouco menos de vinte anos, com as manipulações de imagens que dão um significado bem maior ao universo paralelo que se instaura depois dos cliques. É incrível, olhem só:

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Olha a Terê aqui: Fanpage | Instagram | Flickr <3

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Não seria eu

Se não fossem as várias ideias que nem sempre vem à tona, como a criação de apps de carona ou de fiscalização da prefeitura, não seria eu. Se não fossem os gritinhos ao volante, nas topadas do dedo mindinho ou do quadril ou nos jogos eletrizantes de video game, não seria eu. Se não fossem as crises existenciais ou as dúvidas dificílimas de solucionar, também não seria eu. Se não fosse a fome de ter tudo e a frustração de não conseguir abraçar o mundo, não seria eu. Se não fossem as danças ébrias e as desengonçadas, não seria eu.

Se não fossem os altos níveis de sensibilidade para as coisas erradas e frieza para as certas, não seria eu. Se não fossem os ideais feministas, nunquinha seria eu. Se não fossem os cuidados com meus irmãos e a vontade de orgulhar cada um deles, não seria eu. Se não fossem as brigas com meus pais e o amor incondicional, não tinha como ser eu. Se não fossem as poucas fotos de comida no Instagram e as várias dentro do meu estômago, não seria eu. Se não fossem os planejamentos de intercâmbio, as inúmeras possibilidades e a autossabotagem, não seria eu. Se não fossem as habilidades que o carrinho me deu, como paciência e ousadia, não seria eu.

Se não fossem os pedidos de carona, só pra evitar andar de ônibus, não seria eu. Se não fosse o quartinho arrumado e o guarda-roupa infernal, não seria eu. Se não fosse a fama na empresa e o apelido de ser alienígena, não seria eu. Se não fosse bancar a psicóloga com alguns amigos e ter a curiosidade (e necessidade?) de ir a um profissinal desses, não seria eu. Se não fosse o Recife Antigo, as bikes, as olhadelas e as crianças sendo observadas com tanto carinho por mim, não seria eu.

Se não fossem os medos, nem a mania de ser Jude que carrega o mundo nas costas, não seria eu. Se não fossem as exigências e a vontade de ser rica, não seria eu. Se não fossem as dezenas de livros comprados e não lidos na estante, não seria eu. Se não fossem as noites regadas a cervejas, música e diversão, não seria eu. Se não fossem as fotografias, não existiria eu. E o maravilhoso cinema? Sem chance de ser seu. Se não fossem os sonhos de viver em um mundo melhor, e lutar por isso quase todo dia, não seria eu. Se não fossem a fadiga e o cansaço de viver nesse mesmo mundo que quero mudar, não seria eu.

Esse foi um meme inspirado pela Thay, do Dreams, a qual, por sua vez, se baseou em Analu, que teve um insight na música Capitão Gancho, da Clarice Falcão. Ufa, hahaha. O resultado de todas as criações é tão incrível de ler que dá aquela vontade de tentar também. Tá bom, faz anos-luz que as meninas fizeram, mas quis escrever agora e acredito que o meme seja atemporal. Se quiser tentar, fica à vontade!

E se fosse você?

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